domingo, 18 de setembro de 2011

O universo numa casca de ovo

Os homens sempre tiveram uma história para explicar a origem do universo. Na bíblia, Deus criou o céu, a terra, a luz, as plantas, as árvores, as baleias, os animais domésticos e o homem. Tudo em apenas seis dias. Para os cientistas contemporâneos, a origem foi uma explosão enorme, o Big Bang. Os gregos antigos, a seu modo, também tentaram explicar o começo de tudo. E criaram meia dúzia de histórias repletas de personagens para a ilustrar a situação.
Uma das mais belas versões da mitologia grega começa com a deusa Nyx, a Noite, um pássaro de asas negras que concebeu do vento e botou um ovo de prata no colo gigantesco da Escuridão. De dentro da casca, saltou um deus de asas de ouro. Tratava-se de Eros, o deus do amor. O ovo dividiu-se em duas partes: o Céu e  Terra. Para os gregos, essas duas entidades eram representadas pelos deuses Urano (o Céu) e Gaia (a Terra). Com o amor nas proximidades, os dois se acasalaram e deram origem a diversos seres. Entre eles estava Cronos, o deus do tempo.
Cronos (cronômetro, cronologia, etc.) tinha um problema sério: ele não consegui abandonar o interior de sua mãe. Por absoluta falta do que fazer, seu pai, Urano, não saía de cima dela. Só pensava naquilo! Céu e Terra ficavam grudados um no outro. Por isso, todos os filhos que ele concebia (Cronos incluído) ficavam no ventre de Gaia, que começou a não gostar da situação. Ela bola um plano e entrega ao filho Cronos uma pequena foice. Quando Urano se deita com a esposa, o jovem aparece subitamente, segura com a mão esquerda os órgãos sexuais do seu progenitor e... zás! Corta-os. Urano urra de dor, afasta-se da Terra e vai parar no alto, no teto do mundo, onde está até hoje.
Com esse gesto violento, Cronos abriu espaço entre o Céu e a Terra. É ali que vão crescer as plantas e viver os homens. Em seguida, Cronos arremessa o membro viril de seu pai no mar. O órgão passa um tempo boiando e o esperma se mistura lentamente com a espuma das ondas. Dessa mistura, nasce a mais bela das deusas: Afrodite, que os latinos irão chamar de Vênus. A cena foi retratada em um dos mais conhecidos quadros do pintor italiano Sandro Botticelli. Em seu, Nascimento de Vênus, a deusa parece sair de uma concha sob as ondas.
Mais tarde Zeus, filho de Cronos destrona o pai e vai morar no Olimpo ao lado de outros deuses. Os mais famosos eram 12, cada um deles com personalidade própria. Afrodite traiu seu marido coxo Hefesto com Ares, o deus da guerra. Uma das histórias que explica o aspecto coxo de Hefesto tem início no Olimpo, acima das nuvens. Hefesto era filho do poderoso Zeus e de sua esposa, Hera. Um dia, quando seus pais discutiam, tomou o partido da mãe. Erro! Zeus o pegou pelo pé e jogou violentamente para baixo. A viagem em queda livre durou um dia inteiro e acabou com uma aterrissagem forçada na Terra. O choque feriu a perna do deus para sempre e deixou Hefesto, além de feio e corno, também coxo.
Assim como Afrodite virou Vênus, outros deuses também ganharam novos nomes depois que a Grécia foi dominada por Roma. Hefesto tornou-se Vulcano e Ares Foi chamado de Marte. Palas Atena passou a ser conhecida como Minerva. Era a deusa da sabedoria, nascida da cabeça de Zeus. Dioniso (Baco para os romanos) era o deus do vinho, do transe alcoólico e do teatro. Preferia se divertir na Terra a permanecer no Olimpo. Eros (Cupido) distraía-se flechando os mortais. Hades (Plutão), irmão de Zeus, governava o mundo subterrâneo. Hera (Juno), a ciumenta esposa de Zeus, esforçou-se para punir as amantes de seu marido e seus filhos ilegítimos. Hermes (Mercúrio) era o mensageiro do Olimpo. Posêidon (Netuno) segurava um tridente e o estado das ondas dependia do seu humor. Havia ainda Apolo, que entre os romanos seguiu sendo chamado pelo mesmo nome. Ele era o certinho. E também o deus da adivinhação, da música e do céu azul.

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