terça-feira, 27 de setembro de 2011

Fábrica de Homens

Um grego chamado Esopo, que viveu no século 6 a.C., contou várias histórias de deuses. Esse escritor, mais conhecido pelas fábulas de bichos que inspiraram o francês La Fontaine ( a da cigarra e da formiga é a mais notória), também se dedicou ao tema das divindades. Em três de suas fábulas, Zeus, com a ajuda do herói Prometeu e Hermes, fabrica os seres humanos. As três são engraçadíssimas, embora politicamente incorretas.
Na primeira delas, Zeus manda que Prometeu faça animais e homens. Porém, esse último errou na conta, e produziu mais bicho que gente. O jeito foi transformar o excedente em seres humanos. "Eis que há homens que de humano só têm a aparência, mas a alma é de animal", sentencia Esopo.
Em outra, Zeus pede a Hermes que dê inteligência aos homens que havia feito. O mensageiro, então, distribuiu o dom igualmente entre todos os mortais. Porém, aquilo que foi suficiente para os pequenos não bastou para os grandes. " Daí a inteligência destes ser bem inferior á daqueles", finaliza.
Na terceira fábula, Zeus termina de dar aos homens os seus apetrechos quando se dá conta de que se esqueceu de dar a eles o pudor. Sem saber onde colocá-lo, pediu que o Pudor entrasse por trás. Este não gostou nenhum pouco da ordem. Como Zeus insistiu, o coitado aceitou. Mas impôs uma condição: " Tudo bem, eu entro, mas desde que Eros não entre também, senão sairei logo". Por isso conclui Esopo, todos os devassos são despudorados.

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